Eu sempre te amei mais-ou-menos

Thursday, June 30, 2005

A Horda 2

As invasões bárbaras estavam se alastrando, quatro cidadezinhas já haviam sido destruídas pelas hordas incivilizadas. A CIA, o FBI e o exército estavam desesperadamente procurando a origem, mas os bárbaros pareciam brotar da terra.

Mas na última cidade eles haviam encontrado um sobrevivente, um professor de história. Ele foi interrogado:

"Foi horrível, os policiais atiravam, e mataram diversos selvagens, mas eles eram uma onda humana, para cada um que caia surgiam mais três!" - O pobre homem começa a rir histericamente.

"Mas o senhor tem alguma pista da origem da horda?" - Pergunta o homem de preto.

"Pista! Eu sei de tudo! Foram os garotos!" - Mais risadas histéricas.

"Que garotos?"

"Os adolescentes da cidade, se organizaram em um horda de bárbaros e destruiram tudo, eu reconheci vários alunos meus."

"Mas como? Isso é um absurdo."

"Concordo, nunca achei que eles fossem capazes disso."

"Sim é um absurdo, como esses bons jovens americanos iam praticar tal selvageria."

"Não é isso! Como eles foram capazes de se organizar!?"

"Mas e a linguagem? Os grunhidos?"

"Você precisava ver a ortografia deles."

"E os pais, não acharam estranho os filhos se transformarem em selvagens destruidores?"

"Eles acharam que era uma fase e que ia passar, mas quando surgiu a moda de usar roupas de couro cru devo admitir que alguns ficaram preocupados."

"Mas todos participaram disso, ou foi um grupo de desajustados?"

"Não, todos não. Somente os que não estavam chapados."

O homem parecia insano, mas mesmo assim os especialistas se reuniram para discutir. Não chegaram a conclusão nenhuma, mas um estudo descobriu que a cultura de um estudante médio de segundo grau é um pouco pior que a de um viking do século XIV.

Monday, June 27, 2005

A Horda

Em uma pacata cidade do meio-oeste americano, Billy Bob se empanturra de comida gordurosa, açucarada ou ambos. Ele está alegremente assistindo o seu reality show favorito onde pessoas comuns são colocadas em uma réplica de uma tecelagem inglesa do século XVIII. Cada competidor tem que trabalhar 14 horas por dia, quem cair está desclassificado. No programa de hoje os competidores tem que organizar um greve.

Billy começa a sentir um cheiro de couro crú, ele se dirige até a cozinha, de onde aparentemente o odor está vindo, mas é surpreendido por algo que atravessa a sua janela e vai parar na fincado na parede oposta, é uma machado, mas não machado qualquer, é muito maior, possui láminas nos seus dois lados e o seu cabo de madeira está todo decorado. Ele não tem muito tempo para pensar no que está acontecendo porque logo em seguida entra o dono do machado pela janela. O homem é barbudo e cabelo, ele usa um capacete de chifres e está vestindo uma roupa de couro crú. O homem grunhe e diz coisas incompreensíveis, que soam como um bar, bar,bar.

O probre homem corre para o lado oposto e encontra outra pessoa semelhante saindo da sua cozinha, o capacete dele não tem chifres e em uma das mãos há uma enorme maça de ferro fundido e na outra o frango que Billy ia comer depois do programa. Billy fica muito revoltado porque essas pessoas estranhas e agressivas estão entrando na sua casa, porque justo a sua casa. Mas antes que ele consiga pensar em uma resposta a sua cabeça é esmagada pela obtusa peça de metal do homem do capacete sem chifres.

O que Billy não sabia é que não era nada específicamente contra ele pois todas as casas de sua pacata cidadezinha estavam sendo atacadas por homem semelhantes, muitas delas inclusive já estavam pegando fogo e tudo de valor que podia ser encontrado e todas as garotas que não haviam sido mortas estava sendo carregado para um enorme barco.

Monday, February 28, 2005

Os programadores

Dois programadores perdidos nas entranhas da This is That Corporation conversam. Ambos sob a mesa, cada um com uma meia na mão falando com elas como se fossem bonecos de pano.

P1: Você já se apaixonou?
P2: Uma vez uma garota ficou interssada em mim.
P1: O que aconteceu?
P2: Com o tempo ela foi me conhecendo melhor e o que era somente um leve intersse virou puro despreso. Hoje ela tem um mandato judicial que me impede de chegar 50m dela.
P1: Que chato. Eu uma vez me apaixounei por uma garota, mandava cartas ternas e apaixonadas para ela. Depois de algum tempo ela me denunciou como spammer.
P2: Meu problema antigamente é que eu achava que as pessoas, principalemente as mulheres não me davam o devido valor. Agora eu vejo que me valorizavam até mais do que eu valho.
P1: Eu também me achava um incompreendido, agora eu vejo que eu sou chato mesmo.P2: Mas consegui superar isto tudo, agora eu me dedico à me desapegar de todas as coisas. A melhor politica quando não se pode ter nada, é não desejar nada, isto evita o sofrimento e a conta bancária negativa.
P1: Eu também, procuro me afastar da ilusão do mundo através da contemplação das coisas que não fazem sentido.
P2: Como os nosso programas.

Monday, February 21, 2005

Assassinatos curiosos e desconexos

Numa quinta feira quente, no meio da cidade, dentre os varios predios e o trafego intenso, Dona Maria atravessa a rua, fora da faixa de pedestres, e ao chegar na calcada para um pouco para descansar. Havia sido um dia duro, mas valera a pena - havia recolhido muitas latinhas de aluminio. Estava descansando ainda quando fora eletrocutada por um homem baixinho e esquisito, quem nasceu antes de 1960 diria "um marciano", com uma pequena e estranha pistola. Logo este homem sumiu, e nenhuma testemunha soube dizer para onde ele foi.

Dois dias depois, na madrugada do sabado, um jovem rapaz voltava a pe' de uma festa onde havia experimentado LSD. Estava bastante alucinado, e nao estranhou um navio pirata descendo a rua em que caminhava. Aborreceu-se com sua prisao pelo capitao deste navio, mas nao esperava menos, de piratas. Foi obrigado mais tarde a caminhar na prancha e morreu, comido por um jacare'. Seu relogio ainda tiquetaqueia no estomago deste.

No dia seguinte, um importante executivo, Sr. Hamilton, ao assinar um contrato em seu escritorio, repentinamente explodira. A investigacao policial determinara sua caneta, que continha TNT, como a causadora deste terrivel acontecimento.

Uma dona de casa, a Dona Cremilda, atendeu `a porta enquanto preparava o almoco. Um vendedor ofereceu-lhe um produto novo, resultado das novas pesquisas tecnologias, a "Tinta Invisivel". Alegou que seu marido ia chegar e tentou fechar a porta, mas foi instada a experimentar a amostra gratis em seu proprio corpo, para enganar seu marido. Nunca mais foi vista.

Cheng Wu-Hei distraiu-se ao caminhar na rua e caiu em um bueiro aberto. Logo depois, um homem misterioso foi visto ali perto, carregando uma tampa de bueiro, e marcado como suspeito. Entretanto, nao acharam nem o corpo de Wu-Hei nem o buraco na posicao alegada pelas testemunhas.

Wednesday, February 16, 2005

O homem levantou-se cedo, desceu as escadas, tomou um cafe' com bolo e partiu para seu trabalho. La', como nao havia o que fazer, analisou certos documentos que explicavam a intrincada estrutura hierarquica da sua empresa, a TITCo (This is That Corporation). Haviam muitos gargalos de produtividade, muitos departamentos sub-utilizados e, principalmente, muitos funcionarios incompetentes. Seu relatorio estava quase pronto, se caisse nas maos certas poderia revolucionar a empresa, torna-la novamente competitiva e conferir-lhe status e poder, sonhou.

No entanto, nao sabia o que havia de errado com a TITCo. Ninguem parecia importar-se, e pior, ninguem parecia realizar trabalho util. De acordo com seu relatorio, a maior parte dos funcionarios realizavam reunioes para marcar outras reunioes, que possivelmente seriam desmarcadas pois outras reunioes para marcar reunioes haviam sido marcadas antes. Os funcionarios basicamente interagiam uns com os outros o tempo todo, fazendo negociacoes, acordos, politicagens e conchavos para prevalecerem sobre outros funcionarios, que faziam o mesmo.

O periodo de maior atividade sempre coincidia com o final do ano, onde tomavam lugar os "amigo-secretos" da empresa. Presentear bem um superior era garantia de favores no proximo ano, presentear bem um inimigo era demonstracao de superioridade, presentear bem um amigo era fortalecimento de lacos, e presentear bem um recem-admitido era demarcacao de territorio. A rede social de um funcionario falava por si - podia garantir-lhe promocoes, bonificacoes, assim como selar um destino desgracado e fadado aos circulos de "perdedores".

Terminado o documento, saboreou um cafe' e, visitando paginas aleatorias, satisfez-se com seu bom trabalho. Salvou-o no disco rigido e em um disquete, por seguranca. O checaria em casa, antes de envia-lo a um dos diretores da firma. Pensou melhor, e nao resistiu: enviou um e-mail para este diretor com o texto, sem verificacao. Trabalhou tres anos neste relatorio, devia estar bom o suficiente.

Eram 11 da manha. Havia tempo de sobra para dedicar-se ao seu hobby, a fisica teorica. Estava escrevendo um importante trabalho sobre a Teoria da Grande Unificacao, que teria a importancia historica da Teoria da Relatividade multiplicada por cem mil. Tudo comecou quando leu um artigo na Epoca, sobre como beber vinho e fazer sexo podem aumentar a qualidade de vida de doentes terminais. Nao era um doente terminal, mas bebeu vinho e fez sexo, para aumentar a qualidade de vida. Neste instante, teve uma ideia! Usando algebra tensorial e transformacoes para um espaco eliptico, poderia mostrar que as 64 variaveis utilizadas na equacao da forca nuclear fraca se tornariam apenas 3 e apenas 1 constante: F = K.J.j/y^2. Assim podia mostrar que no espaco eliptico, a gravitacao e a forca nuclear fraca sao equivalentes! Podia inferir entao que transformacoes, na era de Planck, que fizeram estas forcas diferirem, mas deixe um pouco de trabalho para os outros, pensou.

Fazia os retoques finais em seu trabalho. Pensou em fazer outra revisao bibliografica, mas desistiu da ideia. Hoje submeteria este paper para a Nature, a revista mais importante no meio cientifico. Nada como um bom dia de trabalho, pensou ao clicar em "Submit", e ainda eram 13h. Saiu para almocar.

Nao houveram repercussoes do seu trabalho, entretanto. Por um fato bizarro do destino, suas duas mensagens perderam-se de maneiras diferentes. O relatorio, por conter uma sequencia infeliz de letras, foi classificado pelo AntiVirus do diretor como "Potentially dangerous infector fucking virus", e deletado sem ler.

Ja' o paper foi mais complicado. Chegou `a redacao da Nature, onde foi impresso para ser submetido ao editor, que verificaria se o paper tem os requisitos minimos para aparecer na revista. Infelizmente, entre a impressora e a sala do editor, houve uma colisao de office-boys, um dos quais era responsavel por levar papers submetidos ao editor, e o outro era responsavel por encher a pilha de papel de rascunho. Como se pode imaginar, trocaram os papeis na colisao, e o paper revolucionario foi pra pilha de rascunho. Quando viram que o papel estava impresso nas duas faces, jogaram tudo fora.

Bob

Bob ainda estava deprimido com a cagada que ele tinha feito. Ele tentava se concentrar ao máximo no trabalho, enquanto estava observano um grupo de Macacos Gordos reencontrou Mario Takeuspa. Ele era um homem mudado, uma aura de paz emanava dele. Bob lhe contou tudo que tinha acontecido desde que Mario havia fugido para a floresta, inclusive o que havia acontecido entre ele e Flávia. Takeuspa houviu sem interromper ou mudar de expressão. Depois falou:

- O seu problema, Bob, é que você não percebeu que o mundo não faz sentido, que a ordem é uma ilusão e que a libertação só ocorre quando você para e pensa: "Foda-se tudo, não importa o que aconteça eu não vou perder a minha tranquilidade..."

Neste momento Bob acenou para ele fazer silêncio pois um macaco de outra espécie havia entrado no território dos Macacos Gordos, este fato nunca havia sido registrado antes. Um grande mistério era como que os Macacos Gordos conseguiam evitar que outros animais invadissem o seu território.

Observando atentamente Bob viu um dos Macacos Gordos chegar sorrateiramente por tras do intruso, lhe dar um tapa na cuca e sair correndo rindo. Era fascinante. Durante o resto da tarde Bob obervou os Macacos gordos cutucarem o ombro do pobre intruso e depois se esconder, jogar uma casca de banana para ele tropeçar e depois ficar rindo dele e por fim um deles ficou à uma certa distância do intruso e começou a imitar todos os gestos dele como se fosse um mímico.

O invasor não agüentou, foi embora depois de toda aquela chateação. Era fantástico, os Macacos Gordos de Cara Feia conseguiam manter a integridade de seu território devido à sua chatice. Eles não eram um excessão na teoria de evolução, pois a chatice era uma caracteristica que havia os selecionado positivamente durante milênios, para que eles chegassem a tal nível de sofisticação.

Bob estava salvo, ele iria publicar um artigo de grande impacto e poderia sair dessa floresta idiota cheia de macacos chatos, ia voltar para a civilização e poderia rever Flávia.

O artista

Richard Wiseman seria uma pessoa de grande sucesso na Roma antiga, na Espanha colonialista ou qualquer outro lugar que precisasse de alguém com um instinto natural para matar pessoas. Mas nasceu em uma família de artista, intelectuais e pacifista. Nunca lhe deram uma arma de brinquedo, ou deixaram ele brincar de soldado, o que tornou ele uma criança deprimida e frustrada. Ao invés disso os pais lhe deram pinceis, massinha e coisas do tipo. Devido à sua inteligência e habilidade manual ele se saiu muito bem e virou um ótimo artista plástico. Só que a violência que havia dentro dele fazia com que a sua arte fosse negra e depressiva, o que lhe trouxe um bom sucesso.

Só na idade adulta, quando pode se sustentar sozinho com o seu trabalho e longe da influência dos pais ele pode soltar a sua violência. No inicio ele assistia lutas de vale-tudo, depois veio os jogos violentos de video-game e algum tempo depos ele começou a estudar artes marciais, esgrima e tiro.

A primeira vez que foi caçar, a paz tomou conta do seu corpo quando ele desvicerava um coelho. Isto passou a se refletir na sua arte, que se tornou a ser alegre e otimista, o que afastou todos os seus compradores e o levou a falência.

Mario Takeuspa

Mario Taqueuspa havia sido esquecido por todos, inclusive a agência que pagava a sua bolsa de estudos. O seu formulário de bolsa havia sido preenchido errado e por isso além deles pararem de paga-lo, um bug no serviço de atendimento por telefone fazia ele cair na opção "Ouvir Fur Elise para sempre".

Após 2 dias de "Fur Elise" ele desistiu e se embrenhou na mata. Na selva, em contato com a natureza ele descobriu o seu verdadeiro eu, o homem selvagem que havia dentro dele. Mas logo em seguida ele pegou malária. A sua sorte é que os índios o encontram e cuidaram dele usando rituais de magia, ervas da floresta e um kit de quinino que a FUNAI tinha deixado lá.

Quando Mario se recuperou, ele passou a encarar a vida com outros olhos, passou a respeitar mais a floresta e pegou febre amarela. Os índios novamente cuidaram dela. Quando ele se curou novamente foi feita uma grande festa de despedida, e discretamente os amáveis nativos insinuaram que da proxima vez que ele ficasse doente eles iam atirar ele no rio sem um pingo de remorsos.

Durante dias Mario Takeuspa vagou pela floresta se alimentando de musgo e insetos, quando dava. Exausto, delirando, ele se prostou à margem do rio. Nesse momento ocorreu um milagre, o rio falou para Mario e Mario tentou ouviu-lo. Ele sabia que o rio queria dizer algo, mas ele não conseguia compreender, então deseperado ele gritou: "Grande rio, me ilumine com a sua sabedoria milenar, me diga o que eu preciso ouvir para que a minha vida faça sentido". E o rio respondeu: "Foda-se". Mario Taqueuspa então atingiu a iluminação.

Tuesday, February 15, 2005

O relatório

Arilton finalmente terminou o relatório. No desespero de termina-lo ele já estava justificando as suas decisões com Feng-shui e frases do Sei-sho-no-ie (O Dr. Eudes ia gostar).

Ele vai alegremente entregar a pilha de papel semi-inútil para o Sr. Tarracho. Quando ele chega o Dr. Eudes já tinha ido embora e o Sr. Tarracho esta olhando fixamente para o isqueiro. Ele fazia isso frequentemente pois o fogo o fascinava, assim como coisas que cortavam coisas, coisas que furavam coisas. O Sr. Tarracho as vezes sentia vontade de pegar uma daquelas coisas grandes e compridas que furam na ponta e sair atras das coisas grandes e peludas. Após 5 minutos olhando para o fogo e divagando o Sr. Tarracho finalmente começou a prestar atenção no Arilton.

- Ah, o relatório. Muito bom. - Apos olhar o relatorio com os oculos de leitura e analisar, pelo peso, quantas paginas tinha, abriu uma gaveta qualquer e depositou-o ali - Eu e o Dr. Euder discutimos e resolvemos te passar um projeto muito importante, espero que você o cumpra a contento, pois ela é de suma importância para a nossa grande corporação.

- Claro Sr. Tarracho, não vou decepciona'-lo. - Arilton pensava que havia chegado a sua grande oportunidade, seu trabalho e seu talento finalmente seriam aplicados em algo útil.

- Ótimo meu rapaz - disse acendendo um charuto - pois você vai cuidar da nossa nova divisão de machados de guerra e espadas longas. Ocupara' outro cargo, mas continuara' na mesma faixa salarial - concluiu a conversacao com uma baforada na direcao de Arilton, sentado sobre as maos.

Bob

Bob era um sujeito tímido, romântico, carinhoso, atencioso, ou seja um homem perfeito pra as mulheres do século XIX. Com as do século XX ele se sentia completamente deslocado e sem saber o que fazer. Era como um Dom Quixote que, de tanto ler, acabou alheio `a realidade de seu tempo.

Após não conseguir se declarar para Flávia Fernanda ele passou o resto do dia se sentindo um idiota.
Mas naquela noite Flávia pediu para ele fazer uma fogueira. Ele assim o fez, e os dois ficaram juntinhos conversando diante do fogo, no meio da floresta, num puta dum clima romântico, a não ser pelo fato de que ela estava utilizando o ombro amigo dele para falar sobre o idiota do Peterson Cleberson. Lá pelas tantas ele perguntou:

- Mas como você sabe que ele te traiu?
- Me mandaram uma foto, não existe dúvida sobre isto.
- Esta com você?
- Sim.
- Deixa eu ver.

Eles entraram na casa e Flávia lhe entregou a foto. Na foto via-se Peterson Cleberson beijando Marina Mariana. Ele olhou, olhou e percebeu algo errado, pegou uma lupa e descobriu que a foto
era um montagem. Flávia Fernanda não quis acreditar, mas ele a convenseu utilizando seu conhecimento de fotografia. Ela então abraçou ele, lhe deu um beijo no rosto e disse: "Preciso voltar para casa o mais rápido possível, fiz uma grande injustiça com o pobre do Peterson".

Neste momento Bob pensa: "Merda, merda, merda, merda.... Por que eu fui abrir a boca?" Ele passou os meses seguintes se sentindo um idiota.

O assassino.

O homem caminha tranquilamente pelo centro da agitada metropolis. Ele esta pensando como a vida é boa e tudo tem dado certo na vida dele quando sente um pouco de fome. Ele para numa barraquinha sob a marquisa de um edifício antigo para comer um delcicioso churraco grego. Antes que o vendedor lhe entregue o suco uma bigorna de 5 tonelas cai na cabeça do pacato cidadão.

Igor P. Value que obeserva tudo a distância sorri e admira a eficiência e a assinatura inconfundível do assassino que havia contratado. O nome dele era El Coyote.

El Coyote passara toda a sua vida perseguindo uma criatura infernal, que era impossível de ser pega.
Ele sofreu tudo que um homem podia sofrer, foi esmagado, explodido, atropelado por caminhões, jogado de precpícios, mas mesmo assim continuou na sua caçada. Nestes anos de estrágias e planos, todos eles ineficientes contra a criatura matreira, ele desenvolveu ao máximo a sua técnica única de assinato.

Monday, February 14, 2005

Boris Cutoff

"Igor, escute-me com atencao. Tenho uma importante tarefa para voce. Importante e bizarra, mas e' para isso que voce e' pago. Como sabe, sou um homem de posses, muitas posses, na verdade muito mais posses do que voce e' capaz de imaginar, ou mesmo qualquer ser humano o seria, e isso torna a existencia algo extremamente fora do comum.

"Nao faco ideia, e nem quero fazer, de como e' a vida de um cidadao normal, com rendimentos, preocupacoes e atividades normais. Quando jovem, fui abencoado com a fortuna, e desde entao tenho feito coisas que ate' Deus duvida: festas, luxos, confortos, diversoes, emocoes, tudo que a vida pudesse oferecer de entretenimento eu provei, sempre discretamente, pois e' de meu feitio.

"No entanto, ultimamente, nao tenho obtido o menor prazer nessas atividades - pelo contrario, tenho experimentado muito aborrecimento, para minha dessatisfacao. Conclui que estava farto dos prazeres comuns, do paladar, do olfato, da audicao, do tato, da visao, e mesmo de outros como a satisfacao da posse, entao resolvi partir para novas experiencias, como o poder, o respeito e a intimidacao.

"Nao posso exercer o poder que proporciona minha conta bancaria, por motivos intrinsecos `as suas caracteristicas. De fato, e' peculiar minha situacao, dizem que o poder implica responsabilidade, mas acrescento que e' ao poder exercido que se imputam responsabilidades. Portanto nao exerco diretamente meus poderes, e sim atraves de voce, Igor P Value, e outros assistentes, que permitem-me interagir com o resto do mundo.

"Assim decidi exercer meu poder atraves de voce, Igor, ja' que e' o mais confiavel de meus assistentes, e ja' que esta e' uma missao incomum, mesmo para o padrao daqueles que me servem. Exercerei o poder do Medo, e serei temido por muitos, que nao conhecerao meu nome, mas temerao a mim como os primitivos temiam as forcas da Natureza.

"Sua tarefa sera' encontrar um matador, profissional, eficiente, sutil e agil, que nunca possa ser pego. Como sabe, para seu proprio bem, ja' que voce nao sabe onde estou, como me pareco, ou mesmo meu nome, pagara' sozinho se for encontrado. Mas podera' contar com a minha influencia e ajuda numa inconveniencia dessas. Ele devera' eliminar um certo conjunto de pessoas cujos nomes divulgarei no momento apropriado, para disseminar o Medo e o Respeito. Devera' ser bom o suficiente para assassinar tanto pessoas influentes e importantes quanto pessoas comuns, sempre deixando uma marca inconfundivel, para que saibam que fui eu que selou seu destino.

Igor acordou, banhado em suor. Eram 3:30 da manha. Lembrava-se palavra por palavra de tudo o que fora dito, e sabia que iria lembrar-se delas ate' a consumacao de sua tarefa. Nao sabia como vinham, mas ja' experimentara ignorar as ordens dadas por sonho, nao ousaria novamente.